Agosto não é perigoso. As escolhas que fazemos nele é que podem ser. Ninguém vai de férias a pensar que a viagem pode terminar de forma diferente.
O Mês dos Reencontros
Agosto é o mês em que as aldeias voltam a ouvir vozes conhecidas. Casas que estiveram fechadas onze meses enchem-se de vida outra vez. Famílias contam os dias para matar saudades, malas ficam carregadas à porta, e abraços adiados durante meses finalmente acontecem. As viagens começam muito antes de se ligar o motor — começam na expectativa, na contagem decrescente, na vontade de chegar.
É também, infelizmente, um dos meses em que as estradas portuguesas registam maior intensidade de tráfego — e, por consequência, um número mais elevado de acidentes.
O Que os Números Mostram
Todos os anos, milhares de condutores são fiscalizados, e muitos acabam multados por excesso de velocidade. As operações das autoridades revelam sempre a mesma realidade: basta acelerar um pouco mais do que o necessário para aumentar significativamente o risco de um acidente.
O volume de circulação cresce de forma muito acentuada em agosto, impulsionado pelas férias e pelo regresso temporário de milhares de emigrantes. Esse aumento traduz-se, também, num maior número de ocorrências rodoviárias, feridos e vítimas mortais, quando comparado com outros períodos do ano.
O Que os Números Nunca Mostram
Mas há um detalhe que nenhuma estatística consegue captar.
Nenhum relatório mede a ansiedade de uma mãe que espera um filho chegar a casa. Nenhuma tabela contabiliza o silêncio que fica quando alguém não aparece ao jantar. Nenhum gráfico mostra a cadeira que permanece vazia num almoço de família.
Essas perdas não entram nas estatísticas. Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja quantos acidentes aconteceram em agosto. Talvez seja outra: quantos poderiam simplesmente não ter acontecido?
Uma Decisão de Poucos Segundos
Ninguém parte de férias a pensar que a viagem vai terminar de forma diferente. No entanto, basta uma decisão tomada em poucos segundos — uma ultrapassagem apressada, uns quilómetros a mais no velocímetro, uma distração de instante — para mudar a história de uma família inteira.
Conclusão
As estradas estarão sempre lá, e quem nos espera também, mas vale a pena garantir que ambas se encontram no mesmo destino.