Passada a primeira semana de setembro, muitas das nossas aldeias começam lentamente a regressar ao silêncio.
A agitação de agosto dá lugar a ruas mais vazias, a casas que voltam a fechar as portas e aos reencontros que, por alguns dias, voltaram a dar vida a terras que passam grande parte do ano à espera. É assim todos os anos neste regresso à rotina do outono.
O Regresso de Sempre e o Momento da Partida
Os emigrantes regressam durante o verão. Voltam às casas onde nasceram, às ruas da infância, às festas, às mesas fartas, aos amigos de sempre. Regressam à terra onde continuam a ter raízes, mesmo depois de tantos anos a viver longe.
Mas chega sempre o momento da partida. A última refeição em família, o último abraço, aquela despedida que ninguém quer prolongar. Os votos de boa viagem, e a esperança de que a distância passe depressa.
- Para alguns: O próximo reencontro familiar poderá acontecer já na época do Natal.
- Para muitos outros: Será preciso esperar novamente pela chegada do mês de agosto.
Os Verdadeiros Guardiões das Nossas Aldeias
E é talvez essa a parte mais difícil, porque enquanto uns regressam aos países onde construíram a sua vida profissional e familiar, outros permanecem no território. Ficam os pais, os avós, os irmãos. Ficam, muitas vezes, os mais velhos — aqueles que nunca abandonaram a sua terra natal e que continuam, dia após dia, a cuidar de tudo.
- Guardam as chaves das casas das famílias
- Abrem as janelas regularmente para arejar o espaço
- Tratam da horta comunitária e cuidam dos terrenos agrícolas
- Alimentam os animais e mantêm acesa uma presença essencial
Até os Animais Sentem a Ausência e a Saudade
Os animais domésticos e de pastoreio também sentem profundamente a ausência.
