Fachada principal do Palácio de São Bento, Assembleia da República, sob um céu nublado, com texto central sobre a Freguesia de Barbudo, Vila Verde.
O caso da Rua de Parada, em Barbudo, ultrapassou as fronteiras municipais de Vila Verde e chegou formalmente ao Parlamento.

Rua de Parada: O Drama dos Idosos em Barbudo Chega ao Parlamento

A dignidade não deveria ter idade, mas na Rua de Parada, em Barbudo, o tempo parece ter parado no século passado.

 Numa artéria onde habitam idosos com mais de 70 anos, entre os quais um residente com 95% de incapacidade permanente, abrir a torneira e ter água potável ou estar ligado à rede pública de saneamento continua a ser uma miragem.

Apesar de as infraestruturas municipais se encontrarem a escassos 300 metros das habitações, quatro casas (n.ºs 4, 6, 8 e 9) permanecem inteiramente dependentes de poços e fossas particulares, uma dependência que se torna crítica em períodos de seca extrema ou quando a saúde de quem lá vive fraqueja.


O Drama Humano: Quando o Socorro Não Consegue Chegar

Mais do que a ausência de serviços essenciais, as deficientes condições de acessibilidade da via colocam em risco diário a vida dos residentes. Os relatos dos moradores contam uma cronologia de sobressaltos e isolamento:

  • Fevereiro de 2024: Um doente teve de aguardar por uma ambulância mais pequena para que esta pudesse circular na rua até à casa do idoso que teve um acidente.
  • 5 de Novembro de 2025: Durante a madrugada, cerca das 03h00, uma equipa médica viu-se obrigada a transportar um idoso doente numa maca ao longo da rua, sob chuva intensa, frio e escuridão, por total falta de iluminação e acessos adequados.

A indignação dos moradores não é por privilégios; é pelo respeito mínimo por quem trabalhou toda a vida e hoje se sente esquecido pelas entidades que deveriam proteger as populações locais.


O Labirinto Burocrático e a "Operação Cosmética" de Agosto

A história da Rua de Parada é também uma teia de contradições oficiais.

Após a denúncia apresentada à associação ambientalista Quercus em julho deste ano, a Câmara Municipal de Vila Verde garantiu por escrito que a empreitada para o prolongamento da rede de água já tinha ido a concurso público e que a consignação da obra ocorreria em "meados de agosto".

Contudo, a documentação oficial posterior revelou uma versão diferente. No âmbito de um pedido formal de ligação à rede (Processo n.º 3327), o próprio Município assumiu que a infraestrutura estava, afinal, apenas "prevista para concurso" ao abrigo do procedimento PA/173/2026, aprovado a 23 de julho.
Quando agosto chegou, os moradores guardavam a esperança de ver as máquinas no terreno. No entanto, a 17 de agosto, a única intervenção visível na via consistiu no corte de ervas e vegetação na rua. Nada de tubagens, nada de saneamento, nada de obras estruturais.
Na última reunião de câmara, a 3 de setembro, o assunto voltou a ser confrontado, mas a resposta transmitida seguiu a linha de sempre: promessas adiadas e ausência de compromissos claros com prazos de execução.


Do Silêncio Local à Assembleia da República

Perante o falhanço de respostas por parte da Junta de Freguesia, da Câmara Municipal, das autoridades de saúde e de proteção civil, o caso ultrapassou os limites do concelho e deu entrada no Palácio de São Bento.
Através da Pergunta n.º 2571/XVII (1.ª), endereçada ao Ministro das Infraestruturas e Habitação a 8 de setembro de 2026, o Grupo Parlamentar do Chega confrontou diretamente o Governo. Foram exigidos esclarecimentos urgentes sobre:
  1. Se a Administração Central tem conhecimento da privação de água, saneamento e acessibilidades a que estes idosos estão sujeitos;
  2. Se foi realizada alguma avaliação técnica ao acesso de veículos de emergência e socorro à Rua de Parada;
  3. O ponto de situação real, custos estimados e calendário do procedimento PA/173/2026;
  4. A necessidade de o Governo se articular com o Município de Vila Verde para garantir uma intervenção efetiva e definitiva.

Conclusão: Exige-se Respeito e Soluções, Não Mais Palavras

A situação na Rua de Parada deixou de ser um problema técnico de engenharia municipal para se tornar um teste à humanidade e à responsabilidade política de quem governa.

Os idosos de Barbudo não pedem favores. Exigem água potável, saneamento, iluminação e a garantia de que, se precisarem de uma ambulância a meio da noite, ela conseguirá chegar à porta de sua casa. A bola está agora do lado do Ministério e da Autarquia, e as promessas já esgotaram o prazo de validade, como se sente junto de todos os moradores.

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