Andorinha a alimentar as suas crias num ninho debaixo de um telhado.
Destruir ninhos de andorinha é ilegal em Portugal.

Ninhos de Andorinha: Como Proteger e Cumprir a Lei

Há animais que não precisam de apresentação — chegam, e a sua chegada é já uma notícia. As andorinhas são assim. 

Quando aparecem nos beirais das casas, nas igrejas, nos alpendres das aldeias do Barroso, é sinal de que a primavera chegou a sério — não a primavera do calendário, mas a primavera real, a que se sente no ar e se vê no céu. São o símbolo da lealdade e da casa: atravessam desertos e oceanos, milhares de quilómetros, para voltar ano após ano ao mesmo ninho, ao mesmo beiral, à mesma aldeia. É um ato de fidelidade que poucos animais — e poucos humanos — conseguem igualar.

É por isso que é tão triste quando chegam e encontram o ninho destruído.


"Mas elas sujam muito!"

É o argumento mais comum. E é verdade — as andorinhas produzem dejetos que caem verticalmente do ninho para o chão ou para a parede. É real, é visível, e é compreensível que incomode.

Mas antes de olhar para o chão, olha para o céu.

A solução para a sujidade não passa pela destruição do ninho — passa por uma pequena tábua ou caleira de madeira instalada por baixo, que recolhe os dejetos e mantém o chão limpo. É uma intervenção simples, barata, que qualquer pessoa consegue fazer numa tarde. O ninho fica. A família de aves cresce em segurança. E o chão fica limpo.

Às vezes, os problemas que parecem difíceis têm soluções com menos de dez euros e duas horas de trabalho.


O que uma andorinha faz por ti — todos os dias

Antes de pensar na sujidade, considera o serviço. Uma única andorinha consome cerca de 850 moscas e mosquitos por dia. Não por semana — por dia. Multiplica esse número por uma família inteira de andorinhas a nidificar na tua casa, e tens o sistema de controlo de pragas mais eficaz, mais silencioso e mais barato que existe — sem químicos, sem armadilhas, sem fatura mensal.

Os verões sem picadas de insetos que muitos recordam das aldeias de antigamente não eram acidente. Eram andorinhas.


É ilegal — e as multas são pesadas

Além da questão ética, há uma questão legal que muita gente desconhece. A remoção de ninhos de andorinha é proibida por lei em Portugal, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 140/99, que protege as aves selvagens e os seus habitats de reprodução. Destruir ou remover um ninho ativo pode resultar em coimas significativas.

Não é apenas uma questão de sensibilidade ambiental — é uma obrigação legal. E a ignorância da lei não constitui defesa.

Se vires alguém a tentar remover ninhos, tenta sensibilizar. Se não resultar, a linha SOS Ambiente — 808 200 520 — está à distância de uma chamada.


Uma questão de ponto de vista

Há uma frase no original deste texto que resume tudo: antes de olhar para o chão, olha para o céu. É uma mudança de perspetiva pequena, mas com consequências grandes. A sujidade no chão é real — mas é temporária e tem solução. A andorinha que nidifica no teu beiral é um presente que atravessou África para te trazer.

Muitas vezes, as pessoas só precisam de um ponto de vista diferente para mudar de atitude. Não de sermões, não de multas — apenas de informação e de uma alternativa prática.


Conclusão

As andorinhas voltam todos os anos porque são leais. São leais ao ninho, ao lugar, à memória de onde nasceram. Merecem, no mínimo, que não as recebamos com destruição.

Se tens andorinhas em casa, considera-te sortudo. Instala uma tábua por baixo do ninho, resolve o problema da limpeza, e deixa que a família cresça. No verão, quando estiveres na esplanada sem ser incomodado por moscas, já sabes a quem agradecer.

Vamos proteger quem nos protege. Partilha esta mensagem — porque às vezes, tudo o que falta é alguém que explique.

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