Moradores da freguesia de Barbudo denunciam a falta de água canalizada, saneamento e acessos adequados.
Perante um concurso público superior a um milhão de euros para ampliar a rede de abastecimento de água em várias freguesias de Vila Verde, os moradores exigem que a Câmara esclareça se a Rua de Parada está incluída na empreitada.
Dificuldades que persistem no nosso território
Na Rua de Parada, em Barbudo, concelho de Vila Verde, um morador recorda que o seu avô materno nasceu naquele lugar em 1884. 142 anos depois, a família continua a olhar para uma realidade que, nas suas palavras, parece não ter mudado o suficiente.
«O meu avô materno nasceu na Rua de Parada, freguesia de Barbudo, Vila Verde, em 1884. Mais de 140 anos depois, tudo parece igual…»
A frase resume a frustração de moradores que continuam a reclamar condições básicas de habitabilidade, nomeadamente.
- água canalizada
- saneamento
- acessos adequados.
Segundo os residentes, quatro habitações estão diretamente afetadas por esta situação, incluindo casas onde vivem pessoas idosas. Os moradores alertam ainda para as dificuldades de acesso de veículos de emergência, designadamente ambulâncias, e referem a existência de uma nova habitação em construção.
É perante este cenário que a população decidiu manter a sua mobilização e avançar com uma denúncia pública, acompanhada de um pedido formal de esclarecimento dirigido à Câmara Municipal de Vila Verde.
Mais de um milhão de euros para ampliar a rede de água
A contestação surge num momento em que existe um procedimento de contratação pública para o «Prolongamento da rede de abastecimento de água em diversas Freguesias do Concelho de Vila Verde – Fase IV».
De acordo com os elementos comunicados pelos moradores, a empreitada encontra-se dividida em três lotes, com os seguintes preços base:
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Lote 1: 329.007,00 euros;
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Lote 2: 369.757,50 euros;
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Lote 3: 353.283,00 euros.
O valor global dos três lotes ascende a 1.052.047,50 euros, um investimento que coloca em evidência a dimensão da intervenção prevista para a expansão da rede de abastecimento de água no concelho.
Contudo, há uma questão que os moradores consideram essencial esclarecer: a Rua de Parada está efetivamente incluída nesta empreitada?
Segundo a exposição apresentada pelos residentes, a informação geral sobre o concurso, ao referir apenas «diversas freguesias», não permite confirmar se a rua será abrangida, nem quais as intervenções concretamente previstas para aquele local.
A população manifesta, por isso, preocupação com a possibilidade de a existência de um procedimento público de âmbito alargado ser interpretada como resposta a uma situação que, no terreno, os moradores afirmam continuar por resolver.
Importa distinguir as duas questões: a abertura de um concurso público para ampliar a rede de abastecimento de água não permite, por si só, concluir que a Rua de Parada está incluída ou excluída dos trabalhos. Essa confirmação depende da identificação das ruas abrangidas e dos elementos técnicos que integram a empreitada.
Moradores pedem transparência e identificação das ruas abrangidas
Na sequência das diligências realizadas e seguindo, segundo os residentes, uma recomendação da associação ambientalista Quercus, os moradores solicitam que o executivo municipal divulgue a listagem detalhada das ruas contempladas nos três lotes.
O objetivo é obter uma resposta concreta, verificável e acessível à população, que permita perceber se a intervenção anunciada contempla efetivamente as necessidades da Rua de Parada e, em caso afirmativo, em que termos.
A questão não se limita à existência de um investimento público. Trata-se também de saber como esse investimento se traduz em melhorias concretas para as populações que continuam a reclamar serviços essenciais.
Para as famílias afetadas, a confirmação de que a rua está contemplada, acompanhada da indicação dos trabalhos previstos e dos respetivos prazos, será determinante para avaliar se existe uma solução efetiva para os problemas identificados.
Caso a Rua de Parada não esteja abrangida, permanece igualmente a necessidade de esclarecer que medidas poderão ser adotadas para responder às reivindicações dos moradores.
Uma questão de dignidade e de condições de vida
A ausência de água canalizada e de saneamento, associada a dificuldades de acesso, assume particular importância quando estão em causa pessoas idosas ou residentes com mobilidade condicionada.
São condições que ultrapassam o conforto quotidiano. Interferem na higiene, na saúde pública, na segurança e na possibilidade de viver com dignidade.
Numa altura em que se anunciam investimentos destinados à melhoria das infraestruturas públicas, os moradores de Rua de Parada querem saber quando chegará a sua vez e que solução está efetivamente prevista para o lugar onde vivem.
A sua reivindicação é objetiva: conhecer o âmbito da empreitada, confirmar se a rua está incluída e obter esclarecimentos sobre os passos necessários para resolver os problemas que denunciam.
Uma resposta concreta continua a ser necessária
O investimento anunciado e as preocupações manifestadas pelos moradores justificam uma resposta clara sobre o alcance da intervenção prevista. A divulgação da listagem das ruas abrangidas permitirá dissipar dúvidas e ajudar a perceber se as necessidades identificadas na Rua de Parada estão contempladas.
Mais de 140 anos depois do nascimento do avô de um dos moradores, a memória de uma família tornou-se também uma interrogação sobre o presente: até quando terão de esperar estas pessoas por condições básicas de habitabilidade?
A população pede respostas. E, acima de tudo, quer saber se a solução anunciada chegará, finalmente, à sua rua.
