Imagem com moldura azul mostrando uma estátua de pedra à esquerda nos Escadórios do Bom Jesus, com o braço estendido em direção à vista panorâmica da cidade de Braga ao fundo. Ao centro, lê-se o texto SOMOS DO MINHO SOU BRACARENSE.
A cidade de Braga vista do alto dos Escadórios do Bom Jesus do Monte: um horizonte que define a alma e o orgulho das gentes minhotas.

Honra Seja Feita ao Minho: O Orgulho de Ser Bracarense

Há lugares onde chegamos e sabemos, de imediato, que estamos apenas a passar. Depois, há lugares onde chegamos e, sem sabermos bem porquê, sentimos que já lá estávamos antes de lá pormos os pés pela primeira vez.

As Terras que nos devolvem a nós próprios

Sou de Braga, sou minhoto. E tenho vindo a notar uma coisa que me surpreende diariamente: a facilidade com que as gentes do Minho comentam, opinam e respondem nas nossas plataformas digitais.
Eles não se remetem ao silêncio. Há um retorno imediato, uma vontade genuína de participar na conversa, que não é de todo indiferente a quem escreve.

Não se trata de uma comparação com outras zonas de Portugal, pois cada região tem a riqueza na sua identidade própria.
A característica marcante das gentes do Minho é esta. E digo-o com convicção porque sou de Braga e, como bracarense que sou, fui habituado desde cedo a dizer frontalmente o que penso.
A ideia não é transformar esta reflexão numa comparação competitiva. Não vou dizer que umas gentes são mais isto e outras mais aquilo. Seria injusto, e seria também uma simplificação que nenhuma terra merece.

O que sinto no território é uma diferença de energia, não de valor. E essa diferença contagiante fez-me pensar.

Talvez Não Seja Apenas uma Questão de Território

Há terras que nos recebem com uma enorme hospitalidade, com cortesia e com aquele acolhimento bonito que se oferece a quem vem de fora. No entanto, há terras que fazem muito mais do que isso: devolvem-nos a nós próprios!
Não nos tratam como meros visitantes; tratam-nos como se já fizéssemos parte da paisagem local, da conversa quotidiana e da memória coletiva. É nesse instante que percebemos: não estávamos apenas a visitar, estávamos, de alguma forma, a regressar a casa.
O Minho faz isso comigo de forma natural. Não sei explicar detalhadamente de onde vem essa força:
  • Se vem da pronúncia e do sotaque característico;
  • Se vem do jeito aberto e autêntico de estar;
  • Se é simplesmente o facto de partilharmos a mesma terra debaixo dos pés.
Sempre senti que há qualquer coisa nesta gente, da qual orgulhosamente faço parte, que reconhece o outro antes mesmo de ele se apresentar.
 

Um Tributo Justo às Nossas Gentes

Escrevo isto como um pequeno mas sincero tributo. Não às tradições etnográficas, não aos monumentos históricos e não à gastronomia regional. Isso já outros contam bem, e continuarão a contar ao longo do tempo.
Escrevo este texto às gentes. Às pessoas que comentam, às que respondem e às que nos fazem sentir que uma palavra escrita e partilhada não cai no vazio da internet.
Porque, no fim, uma terra não se mede apenas pelo património que tem para mostrar. Mede-se também pelo que devolve a quem nela nasceu e a habita, a quem a visita e a quem nela se reconhece.
E eu, minhoto, reconheço-me por inteiro aqui.

Texto de: Pedro Silva

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