Os icónicos Escadórios do Bom Jesus do Monte transformados num palco de superação e solidariedade para quase dois mil bombeiros.
Escadórios da Humanidade: 1890 Bombeiros Desafiam o Bom Jesus
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Há desafios que parecem substancialmente maiores quando os olhamos de baixo. No Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, o cenário traduz-se em 566 degraus, 615 metros de percurso e 116 metros de desnível vertical.
Escadórios da Humanidade: Quase Dois Mil Bombeiros Desafiam o Bom Jesus
Para quem os vai subir carregando o pesado equipamento de proteção individual completo, a prova ganha uma dimensão de superação extrema.No próximo sábado, 26 de setembro de 2026, o monumento bracarense volta a ser o palco dos Escadórios da Humanidade. Trata-se da 8.ª edição de uma iniciativa icónica que coloca à prova a resistência física, mental e psicológica de bombeiros provenientes de diferentes regiões de Portugal e de vários pontos do mundo.
Os números registados para esta edição impressionam e fixam um novo recorde de adesão:
Participantes inscritos: 1.890 atletas operacionais (em 2022 tinham sido apenas 825);
Representação técnica: 308 corporações e corpos de bombeiros diferentes;
Fronteiras ultrapassadas: 16 nacionalidades representadas no Minho;
Destaque feminino: Uma adesão inédita com 596 mulheres bombeiras em competição.
Uma Subida de Resistência, Solidariedade e Cooperação
Organizada pela Associação Família de Elite (AFDE) e pela ADN Eventos Desportivos, a competição desafia os participantes a vencerem o escadório barroco sob condições extremas de esforço. O peso acrescido do vestuário térmico, as botas pesadas e o aparelho respiratório transformam cada lance de escadas num teste de disciplina pura.
A vertente internacional do encontro acaba por dar ao Bom Jesus de Braga um palco mediático global. Durante várias horas, os degraus de granito transformam-se num ponto de encontro multicultural unido por valores partilhados que transcendem qualquer barreira linguística: a solidariedade, a entreajuda, o espírito de missão e o serviço público à comunidade.
Preservação do Património Mundial e Responsabilidade Social
A realização de uma prova desta envergadura num espaço classificado como Património Mundial da UNESCO exige cuidados logísticos redobrados. Nesse sentido, a organização e a Confraria do Bom Jesus do Monte desenharam um protocolo focado na preservação, limpeza e minimização dos impactos ambientais do evento.
Como resumiu de forma clara a presidente da AFDE, Eduarda Gomes: “Não queremos escolher entre preservar o património e permitir que ele seja vivido e fonte de vida. Queremos e devemos promover as duas coisas.”
Além do foco ecológico e desportivo, os Escadórios da Humanidade mantêm uma forte componente de cariz social. Através do "Projeto Partilha", as verbas angariadas revertem diretamente para apoiar os Bombeiros Voluntários de Braga e os Bombeiros Sapadores de Braga, incluindo ajuda financeira para a futura requalificação de infraestruturas locais.
Horários do Programa no Próximo Sábado
Quem pretender deslocar-se ao santuário para apoiar os operacionais deve ter em conta o cronograma oficial da organização:
06h30: Abertura do secretariado da prova;
08h00: Concentração oficial dos atletas e receção das comitivas;
09h00 às 12h30: Início das subidas cronometradas nos escadórios;
13h00: Realização da 5.ª Bênção Nacional de Capacetes no Terreiro de Moisés;
13h30: Cerimónia de entrega de prémios aos novos recordistas.
Atualmente, as melhores marcas históricas da subida pertencem a David Vieira (Bombeiros Sapadores do Funchal) com o tempo incrível de 5 minutos e 23 segundos, e a Ana Valentim (Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa) com o registo de 7 minutos e 44 segundos.
A edição de 2026 guarda ainda espaço para uma novidade comercial: o lançamento em edição limitada do licor artesanal “Perdoa-me”, confecionado com produtos endógenos e naturais da região.
Conclusão: Para Lá do Relógio
No sábado, o Bom Jesus será o espelho de uma imagem invulgar. Centenas de homens e mulheres fardados vão subir os escadórios sob o olhar atento e o aplauso dos bracarenses. Uns lutarão pelo pódio, outros simplesmente contra os seus próprios limites.
No fundo, esta prova é uma justa celebração daqueles que, todos os dias do ano, sobem outros tipos de escadórios, bem mais perigosos, sem aplausos, sem público e sem medalhas, sempre que alguém grita por socorro.
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