Há pessoas que não aparecem nos cartazes, não ficam nos slogans, nem nas fotografias mais partilhadas.
Há pessoas que fazem o trabalho, entregam-se à causa, e quando a câmara fotográfica aponta, já estão noutro lugar.
Hoje, se Pitões das Júnias é o que é — se tem granito onde havia lama, caminhos onde havia buracos, dignidade onde havia abandono — foi porque alguém, um dia, segurou o leme com firmeza e sem alarido. Esse alguém tem nome: António Ferreirinho.
O Presidente que Nos Abriu as Portas do Barroso
Foi através dele que chegamos ao Barroso e que este projeto começou, em meados dos anos 2000.
Na altura, a aldeia era chão de terra, lama e buracos. As ruas não convidavam, os acessos desencorajavam, e o potencial que hoje qualquer visitante reconhece imediatamente estava ainda sepultado debaixo de décadas de esquecimento e de infraestruturas que não acompanharam o tempo.
O Sr. António abriu-nos as portas de Pitões com amizade e confiança — duas coisas que não se compram, que não se fingem e que hoje parecem estar em desuso. Partilhou histórias, pessoas, a sua família e as suas amizades mais próximas. Ensinou-nos a conhecer a aldeia por dentro, com a intimidade de quem a ama e a conhece em cada pedra. Foi essa experiência — esse privilégio — que deu origem a tudo o que veio depois. De certa forma, o Gentes da Terra nasceu também ali, nessas conversas, e nessa confiança partilhada.
Uma Obra que Se Vê — e Que Fica
Enquanto Presidente da Junta de Freguesia, António Ferreirinho conduziu obras decisivas, e essenciais, para a aldeia.
Restaurou património, melhorou acessos, pensou Pitões para o presente e para o futuro, sempre com a visão de quem sabe que uma aldeia não se serve apenas com o que ela é hoje, mas com o que pode vir a ser amanhã.
Fê-lo com proximidade, com critério e com respeito por todos — pelos que ficaram, pelos que partiram, pelos que chegavam de fora com curiosidade e às vezes com ceticismo. Não há obra pública verdadeiramente boa que não comece nessa capacidade de ouvir e de servir sem impor. É considerado por muitos como o Melhor Presidente da Junta de Freguesia da Região.
Hoje, a sua obra permanece. Encontra-se nos caminhos, nos acessos, nas pontes que criou e nas margens que uniu. Está na forma como Pitões se apresenta ao mundo — com uma dignidade que não caiu do céu, que foi construída tijolo a tijolo, decisão a decisão, por alguém que acreditou que a aldeia merecia mais.
O Que a Memória Deve Guardar
Há uma injustiça silenciosa que acontece muitas vezes nas pequenas comunidades: quem faz o trabalho verdadeiro raramente recebe o reconhecimento proporcional ao que entregou. Os holofotes vão para os momentos de inauguração, para as fotografias de obra concluída, para os discursos de ocasião — e depois a memória encurta, e o nome de quem tornou tudo possível vai ficando cada vez mais distante.
Esta página sente a obrigação de não deixar isso acontecer com António Ferreirinho. Não por dever formal — mas por gratidão genuína. Porque há dívidas que não se pagam em dinheiro, apenas em memória e em reconhecimento público.
Pitões das Júnias não se construiu sozinha. Teve quem a servisse. E esse serviço merece ser lembrado — aqui, e sempre que se falar do que esta aldeia é hoje.
Conclusão
Obrigado, Ferreirinho, do coração. E também em nome de todos aqueles que conheceram Pitões das Júnias através do seu trabalho, da sua abertura e da sua amizade.
A aldeia está aí, viva e visitada, a provar todos os dias que valeu a pena acreditar. E você sabe, melhor do que ninguém, o que custou chegar aqui.
Grande abraço.